Clã 06

 Roger Schutz

 

Também conhecido como Irmão Roger, nasceu na Suíça em Maio de 1915 no seio de uma família com raízes Protestantes.

Foi estudante de Teologia em Estrasburgo e em 1939 é eleito presidente da Associação Cristã de Estudantes.

No mesmo ano iniciou-se a Segunda Guerra Mundial e Roger sente que deve trabalhar para a reconciliação, motivo pelo qual envereda por uma vida de oração pessoal. Começou também a procurar um local onde fosse possível rezar e acolher quem sofria por causa da guerra. Assim, em 1940 pedalou até Taizé, lugar adequado à sua ideia de mundo e que na época fazia parte do território francês não ocupado pela tropas alemãs. Durante dois anos, e antes de se ver forçado pela Gestapo a abandonar Taizé, Roger escondeu refugiados judeus.

 

Em 1944 regressa com alguns companheiros e funda a Comunidade de Taizé, composta por homens vivendo em pobreza e obediência e que se desenvolveu inicialmente num ambiente quase monástico. A partir da década de 50, Taizé começou a ser um ponto de referência para os jovens, que se deslocavam de todos os pontos do mundo para participar em encontros de oração e reflexão. Para além disso, os irmãos de Taizé começaram também a partir para diversos locais, sobretudo aqueles mais pobres e desfavorecidos, numa “peregrinação de confiança na Terra”. À medida que este estilo de vida atraia mais e mais pessoas, começaram a instalar-se em Taizé algumas congregações religiosas femininas, que ajudam no trabalho de acolhimento, orientação espiritual e organização litúrgica.

Em 1969 reúnem-se em Taizé jovens de 42 países, com o objectivo de participar no Pequeno Concílio de Jovens. Cinco anos depois decorre o Concílio dos Jovens, onde participaram mais de 40000 pessoas das diferentes confissões cristãs e onde se manifestou realmente a vocação ecuménica da Comunidade. Ainda em 1974 o Irmão Roger é galardoado pela Alemanha com o Prémio da Paz, tendo recebido também o Prémio Templeton, uma vez que “com a sua vida, o seu trabalho entre os jovens e os seus esforços de renovação e reconciliação, permitiu alargar e aprofundar a consciência do amor de Deus à humanidade”.

O Irmão Roger escreveu diversos livros, alguns deles em conjunto com Madre Teresa de Calcutá. Entre os últimos encontra-se a obra Apelo, de 1976, na qual é lançado o desafio da unidade e revelado o escândalo da divisão.

Em 1988 recebeu o Prémio UNESCO da Educação pela Paz e no ano seguinte o prémio internacional Karlspreis.

 

A busca pela fraternidade e reconciliação exige uma participação activa das forças políticas e, como tal, Roger sempre apelou à responsabilidade dos chefes de Estado, tendo participado em encontros com embaixadores de vários países e apresentado às Nações Unidas diversos apelos com foco na justiça e no respeito pelos direitos do Homem.

Roger foi esfaqueado a 16 de Agosto de 2005 durante a oração da tarde em Taizé. Apesar de ter sido socorrido por um dos irmãos, veio a falecer poucos momentos depois.

 

Durante toda a sua vida, Roger dedicou-se à reconciliação das diferentes Igrejas Cristãs, dirigindo-se particularmente aos jovens. Parte do fascínio que transmitia poderá dever-se à rejeição do pregar formal, ao mesmo tempo que encorajava o esforço de uma demanda espiritual.

A mensagem que nos deixou é simples e clara: “Acredito na nova geração, nos jovens”. 

 

Golfinho Perspicaz

 

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