A ocupação humana no actual concelho de Albufeira remonta à Pré-História, (ao período do Paleolítico), conforme atestaram as escavações já realizadas. Também o ilustre historiador Estácio da Veiga identificou diversos objectos que remontam ao período Neolítico e que foram encontrados em grutas junto à costa. Aliás, as grutas existentes no concelho- tais como a gruta da Senhora da Orada, a da Gralheira e em Paderne, no Sumidouro dos Lentiscais- (esta por sinal dizem ser muito extensa e com muitas ramificações), são locais importantes para a reconstituição do passado.

Foram inúmeros os povos que ao longo dos tempos passaram por Albufeira, no entanto, os historiadores, não encontraram ainda uma explicação comum para a sua origem.

A instalação dos romanos por estas terras, a partir do séc II a.C., deixou vestígios encontrados em diversos pontos do concelho e possíveis de visitar no Museu Arqueológico Municipal. Durante a presença romana Albufeira teve a designação de Baltum.

É, sem dúvida, nesta época que se dão grandes transformação na forma de organização e cultura. Pois são os Romanos que introduzem uma organização administrativa centralizada, e desenvolvem uma intensa actividade agrícola e comercial. São os Romanos os responsáveis pela construção de várias estradas, aquedutos e pontes. São também eles que desenvolvem o cultivo de algumas culturas: o trigo, a vinha, a oliveira, e as árvores de fruto. Em todos os seus trabalhos eles desenvolvem técnicas e instrumentos novos. Nesta região começam a surgir várias indústrias, tais como: a salga do peixe, as forjas, as olarias e a tecelagem.

 

Com a decadência do Império Romano, os Visigodos entram em a Albufeira, (conforme atestam os vestígios encontrados na década de 60), no entanto este povo não vem trazer grandes alterações às características da romanização.

 Anos mais tarde Albufeira foi tomada pelos Muçulmanos que aqui permaneceram mais de cinco séculos. Albufeira toma um novo topónimo com a chegada deste povo, «Al-Buhera», diminutivo de «Baron» que significa castelo do mar. Este nome deverá estar relacionado com a existência de uma lagoa, que se formava na parte mais baixa da vila, (actual Largo Engº Duarte Pacheco).

O actual nome da cidade deriva desta designação árabe.

Os Muçulmanos trouxeram a Albufeira uma grande prosperidade. São eles os verdadeiros responsáveis pelo desenvolvimento do porto comercial e das trocas comerciais com o norte de África. Este povo introduziu novas técnicas e novos instrumentos, assim como novas culturas agrícolas. A charrua, os adubos, as noras para elevação das águas nos poços, os açudes e as levadas, são fruto da passagem dos Muçulmanos por esta terra.

 

A laranjeira, o limoeiro, o damasqueiro, a amoreira e o arroz são as principais culturas por eles introduzidas.

Ainda hoje se conseguem encontrar sinais da passagem deste povo, através da arquitectura – chaminés, casas brancas com janelas características e açoteias únicas; da toponímia; dos produtos agrícolas e das formas de viver.

Em 1189 D. Sancho I tenta a conquista do Algarve. Silves e Albufeira ficaram por curto espaço de tempo na posse dos cristãos.

Al –Mansur impediu através de um violento combate a ocupação cristã, e Albufeira acaba por se render.

Em 1240 D. Afonso III inicia a reconquista do Algarve, e tomou todos os castelos e todas as terras algarvias. E acabou por doar  Albufeira, em 1 de Março de 1250, a D. Martim Fernandes mestre da Ordem Militar de Avis.

Desde então Albufeira integrou o Reino de Portugal e dos Algarves.

Em consequência, a partir da ocupação cristã Albufeira entrou numa fase de miséria e penúria, pois as relações e as trocas comerciais com o norte de África deterioraram-se.

 

   Os principais produtos cultivados eram: os cereais, a amendoeira, a figueira a alfarrobeira e a vinha, que depois seguiam para Castela. As técnicas utilizadas na agricultura continuavam a ser aquelas que foram deixadas pelos árabes, sem que houvesse progresso nesta matéria, desde então.

A 1 de Novembro de 1755 a vila de Albufeira sofre aquela que seria a sua maior catástrofe de todos os tempos – um terramoto. Devido à sua proximidade com o mar sofreu também as consequências do maremoto que ocorreu também nesta altura. Ficaram desfeitas as fortificações, quase todos os edifícios privados e públicos, (inclusivamente as igrejas). Albufeira tornou-se mais pobre ainda.

 No século seguinte, e depois da reconstrução, a actividade piscatória entra em decadência, assim como toda a actividade comercial. A agricultura ganha um lugar de destaque na economia. Enquanto isto Albufeira continua a expandir-se no seu território.

 

No século XX a actividade piscatória ganha novo fôlego, e envereda pela via das conservas. A vila tinha nessa época cinco fábricas, sendo responsável por empregar centenas de homens e mulheres da terra.

Entre a década de 30 e 60 toda esta actividade entra em colapso. Fecham-se todas as fábricas e as próprias embarcações começam a desaparecer.

No inicio do século XX, Albufeira já tinha dois hotéis. Esta vila, quer pelo seu clima quer pela sua grandiosidade atrai muitos turistas. A época balnear era acompanhado por um programa de festas. No inicio os principais turistas eram portugueses, que depois passaram a ser principalmente os turistas ingleses. Com a chegada destes últimos turistas a cidade prosperou.

 

Com a expansão do turismo, Albufeira teve que se adaptar às necessidades desta “indústria”. Começam a nascer na vila, bancos, restaurantes, bares e lojas. A um ritmo galopante começam a aparecer empreendimentos turísticos, que trazem uma melhoria na qualidade de vida dos residentes, contribuído com inúmeros postos de trabalho. O crescimento não parou até aos dias de hoje.

O turismo constitui uma actividade básica no concelho e atrai todos os anos milhares de pessoas a Albufeira, quer os turistas que nos visitam, (provenientes dos mais diversos países), quer os que vêm para aqui trabalhar e residir, procurando uma vida melhor.

 

Lobo Pachorrento

 

 
         

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