elo facto de não existir praticamente nenhum grupo de apoio à juventude em Albufeira e graças ao empenho de alguns adultos, surgiu a ideia de fundar um Agrupamento de escutas em Albufeira

Como é que tudo começou e quem foram estes impulsionadores?

Estávamos em Julho de 1980, quando lançaram seriamente mãos ao trabalho cinco futuros dirigentes. A inexperiência era muita, embora os futuros chefes Nelson Pascoal e Jorge Marques já tivessem sido escuteiros, e o chefe Duque tivesse experiência de obras de grande envergadura, como a formação dos Bombeiros Voluntários, anos antes, em Albufeira.

Assim começaram uma série de inúmeras reuniões com o antigo chefe de agrupamento de Loulé, João Paulo Flor, e depois com outros dirigentes do C.N.E., como os chefes Carrilho e Almerindo.

No grupo estavam, para além dos elementos já citados, também as futuras chefes Maria do Céu Loisas e Ana Cristina Caixinha, ambas empenhadas em movimentos católicos. Nestes primeiros passos, contaram também com o apoio do pároco José Rosa Simão.

Alguns meses depois, Fevereiro de 1981, chegou o grande dia de contactar pela primeira vez com um grupo de crianças e adolescentes. Esta reunião recordo-a ainda hoje, foi na sala da catequese, mas pudemo-nos, nesse dia, sentar no chão, numa carpete, fazer um jogo e ouvir atentamente como iríamos, nos próximos tempos, fazer e aprender tantas coisas.

 

As reuniões de preparação dos futuros fundadores do Agrupamento, continuaram também, por vezes, até altas horas, mas agora o que parecia mais importante era arranjar uma sede, o que se concretizou pela cedência de três salas no convento da Orada.
Óptimo, agora era mãos-à-obra e começar as limpezas! Foi necessário tapar buracos do chão e das paredes, cobrir janelas com plásticos, arranjar carpetes, fazer a instalação eléctrica, etc.

Algum tempo depois, a sonhada Sede já tinha outro “ar” e os “cantos” de Patrulha começaram a ser construídos por nós com vontade e afinco. Continuava a ser necessário arranjar materiais diversos, nomeadamente de campismo, por isso fizeram-se campanhas de angariação de fundos, nomeadamente através da venda de autocolantes, quermesses, sorteios e pediu-se a colaboração de diversas firmas comerciais e Hotéis. Entretanto os pais também colaboraram.

A quinze de Novembro de oitenta e dois, os sonhos quase se desvaneceram, a nossa Sede ardia na sequência de um incêndio no convento da Orada. Tantos esforços perdidos e agora voltávamos ao zero, com a agravante de que já estava marcada para breve a data da fundação do Agrupamento.

Foi cedida então a título provisório, a Igreja de S. Sebastião, o que naquela época significou mais limpezas, mais arrumações... e a impossibilidade de fazer as nossas próprias construções.

Felizmente tudo se compôs e o dia vinte e sete de Fevereiro de oitenta e três chegou.

 

A Festa foi preparada ao pormenor: um grande acampamento na Orada; um desfile pelas ruas da Vila; a cerimónia das Promessas; um grande almoço; uma exposição escutista na igreja de S. Sebastião e os Jogos de Vila para todas as Secções. Na noite anterior já tinha havido lugar para a cerimónia da Velada de armas e para um grande Fogo de Conselho na praia do Peneco.

Nunca tinha visto tantos escuteiros até àquela data, (cerca de quinhentos de todo o Algarve), nem tantas personalidades importantes, desde os responsáveis pelos órgãos locais, até ao Sr. Bispo do Algarve e ao chefe Nacional do C.N.E., Velez Costa.

Nesse dia foram investidos dois bandos de Lobitos, uma Patrulha de Exploradores Júniores, a Águia, e uma de Exploradores Séniores, a Castor. Tomaram posse o chefe de Agrupamento, Carlos Duque; a chefe de Alcateia, Maria do Céu Loisas; os chefes do Grupo, Nelson Pascoal e Jorge Marques e a Secretária e Tesoureira, Ana Cristina Caixinha.

O tempo foi passando, o Agrupamento ia crescendo, surgiam novos elementos e outros chefes, mas estes últimos sempre com carácter transitório. Em Junho de 1984, já tínhamos também uma caminheira, o que era sinal da continuidade e amadurecimento dos elementos iniciais.

 

Após muitas diligências e esforços, foi entregue ao Agrupamento e inaugurada, em Fevereiro de 92, uma nova Sede, situada na Quinta da Palmeira e cedida pela Câmara, enquanto vida do Agrupamento. Foi feita uma grande festa, o que deu origem a que compartilhássemos a alegria da inauguração deste maravilhoso espaço, com a maioria dos Agrupamentos do Algarve.

Estranhamente, ou talvez não, o Agrupamento viveu depois, a mais difícil crise de sempre, que foi marcada por infelizes desentendimentos entre os dirigentes, conduzindo posteriormente às respectivas saídas do activo.

No final de Novembro de 1994, o Agrupamento ficava sem um único dirigente à excepção do Assistente, que também não se sentia suficientemente seguro e disponível para assumir a chefia. Nestes tempos críticos foi possível contar com a força de alguns caminheiros, dos quais destaco, sem no entanto esquecer os outros, o Pedro Penisga, o Pedro Ricardo, a Ângela Lourenço, a Rita Piscarreta, o Jorge Neto, a Conceição Oliveira e a Urânia Simões.

 

A partir de noventa e cinco, julgo que o Agrupamento novamente encontrou o seu rumo, contou com a entrada de três futuros dirigentes, entre eles os pais de um Lobito, que manifestaram a sua disponibilidade para voltar a erguer o Agrupamento. Contámos também com a Formação e apoio que nos foram dadas a nível Regional, com especial destaque para a preciosa e incansável orientação do Chefe Cercas do Agrupamento de Portimão, que desempenhou temporariamente a função de Chefe de Agrupamento.

Depois de Dezembro de noventa e seis e já com nova chefia de Agrupamento e a Direcção novamente constituída, o Agrupamento apostou na formação dos seus elementos, sobretudo dos dirigentes; na participação em diferentes actividades; na colaboração com a Câmara Municipal, e com outras associações de solidariedade social (Caritas Portuguesa; Fundação Portuguesa de Cardiologia, Liga Portuguesa Contra o Cancro, Fundação do Gil e ASHA,).

De lá até esta data, o Agrupamento já conheceu dois chefes de Agrupamento, o chefe Adelino Ferreira e a chefe Maria José Leote e, felizmente, muitas, muitas crianças.

 

Ao longo destes quase vinte e cinco anos de vida, foi possível a participação em inúmeras actividades escutistas na Região, como Acampamentos regionais (ACAREG); Dias comemorativos das secções e Dias de B.P.

A nível Nacional participamos, entre outras, no “Templário Escuta”, em Tomar; no “ Rumos do Homem Novo”, no Porto; nos XIX, XX e XXI ACANACs; no FESCUT, (Festival de música escutista), no ACARAL, nos Açores, no Talitha Kum e nos Campos de Trabalho na Drave, no XXI Jamboree Mundial, no XII Jamboree Açoriano em 2009, etc.

Hoje, contamos com cerca de oitenta e cinco elementos entre os seis e os vinte e dois anos que continuam a apreciar a vida saudável ao ar livre e a viver o espírito de amizade e a alegria característica dos escuteiros.

 

Sem dúvida que o Agrupamento tem vindo a contribuir, ao longo destes anos, para uma melhor formação da juventude em Albufeira, sobretudo se tivermos em conta que, fruto da vida moderna, cada vez há menos apoio e partilha no seio da família, menos hábitos de vida saudáveis e, por vezes, até falta de valores positivos em que acreditar. Por tudo isto o Agrupamento continua a ser procurado anualmente por inúmeros jovens e por pais, que gostariam que os seus filhos optassem pelo ideal de vida de Baden Powell.

Por tudo isto nosso firme objectivo continuar, no futuro, a contribuir para o crescimento saudável e responsável das crianças e jovens de Albufeira que procurem o Escutismo Católico Português como contributo para a sua formação.
 

Castor Pensador

 

 
         

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